Saudação institucional

Por ocasião da celebração do Dia Internacional da Cidade Educadora, como Comissária de Educação do Município de Barcelona, reitero o nosso firme compromisso municipal no seguimento dos princípios da Carta das Cidades Educadoras.

Há 29 anos que Barcelona impulsionou e assumiu o compromisso de situar a educação no centro das suas políticas públicas e de colocar a educação no sentido amplo da palavra, como motor de transformação social que concerne a uma grande diversidade de atores, tempos e espaços da cidade.

Nesta celebração, queremos nos juntar às 490 cidades do mundo que expressaram o seu compromisso como Cidades Educadoras, para poder dar visibilidade à educação e situá-la como alavanca de mudança, geradora de bem-estar e coesão social na cidade e para além desta, também porque os desafios que enfrentamos são globais.

O lema deste ano: Escutar a Cidade para a transformar, dá-nos a responsabilidade imperiosa de continuar a promover políticas públicas que situem as pessoas no centro, como protagonistas ativas de mudança; e que criam ecossistemas educadores que geram sinergias com o objetivo comum de trabalhar juntos por este bem comum que é a educação.

Hoje, aqui em Barcelona, continuamos a investir firmemente numa Cidade Educadora equitativa, inclusiva e geradora de mais e melhores oportunidades de aprendizagens ao longo da vida. Para consolidar este paradigma e realizá-lo nos bairros educadores, temos o desafio de continuar articulando e fortalecendo a rede de diversos ambientes e tempos de aprendizagens, para além dos tempos escolares, para que estas oportunidades educativas estejam ao alcance e enriqueçam todos, em vez de ser um cenário onde se agravam as desigualdades.

Portanto, é necessário consolidar e ampliar experiências valiosas que tragam equipamentos, serviços, projetos, entidades e pessoas nos bairros como ecossistemas educacionais, especialmente no tempo livre. Estamos comprometidos num projeto educativo de cidade que nos ajude a promover este empoderamento de tofos os cidadãos, com ligações e capacidades para continuar aprendendo, a fazer, a viver, a viver juntos para poder enfrentar melhor e com mais criatividade, os desafios da vida pessoal, social e comunitária.

Este ano em Barcelona destacamos o lema Escutar a cidade para a transformar, da Cultura, da Educação e da Comunidade porque temos como objetivo trabalhar decisivamente para quebrar o fosso existente entre o sistema cultural e o sistema educativo. Todo o poder de equalização e construção do significado individual e coletivo que teve direito à educação durante o século XX, é hoje, em parte, diluído pelas incertezas geradas pelo momento da mudança de época que vivemos. Incertezas que afetam muitos aspetos da vida e das relações sociais. Incertezas também sobre a sustentabilidade da vida e possíveis futuros.

Agora, mais do que nunca, precisamos incorporar o olhar transversal da Cidade Educadora para adicionar à bagagem educacional, mais escolar, uma série de recursos mais focados na criatividade, inovação ou a experimentação que são mais típicos das atividades culturais. Precisamos, mais do que nunca, incorporar a escuta quotidiana para nos reconhecermos e transformarmos, pessoal e coletivamente e ainda como cidade.

Maria Truñó
Presidente Delegada da Associação Internacional de Cidades Educadoras

 

Foto Marina

As cidades enfrentam problemas complexos que exigem soluções criativas e inovadoras. Muitas vezes pensamos que estas só podem vir de pessoas especializadas, que às vezes têm pouco contacto com a realidade local, mas a experiência mostra que é através do conhecimento coletivo e inteligência dos cidadãos e os vários agentes locais que é possível encontrar as melhores respostas.

Dispomos de espaços para ouvir, refletir e debater sobre as questões que motivam e dizem respeito aos cidadãos nas nossas cidades? Esses espaços contemplam a diversidade de vozes que compõem as nossas cidades? Integramos o conhecimento, as competências, os esforços, a criatividade e as sensibilidades dos vários atores e grupos locais na busca de soluções para os problemas públicos?

Porque é receamos abrir canais de construção compartilhada?  Porque é que percebemos os «outros» como rivais, diferentes ou alheios, mesmo sabendo que eles poderiam ser potenciais aliados e que sua incorporação no projeto pode levar a respostas mais eficazes e legítimas?

A Carta das Cidades Educadoras, tanto no seu preâmbulo, como em vários princípios (6, 9, 12, 15 e 18), refere-se à participação cidadã como um caminho ideal na construção deste modelo de cidade. Os municípios são convidados a estabelecer canais de comunicação permanentemente abertos para fazer propostas políticas concretas e gerais. Trata-se de criar espaços onde nos possamos conhecer e descobrir uns aos outros, conversar, trocar opiniões, debater, partilhar preocupações e chegar a acordo sobre propostas.

Portanto, o lema escolhido para esta edição do Dia Internacional da Cidade Educadora é «Escutar a Cidade para a transformar».

Da Associação Internacional de Cidades Educadoras estamos convencidos de que a participação dos cidadãos nos permite lidar de forma criativa e eficaz com os problemas urbanos, enriquecer os projetos e aproximar os governos locais dos cidadãos. Compartilhar projetos, estabelecer conexões com outros agentes nos pode ajudar a desbloquear iniciativas, superar obstáculos, vencer resistências e desmantelar preconceitos.

Promove, por sua vez, maior conhecimento por parte dos cidadãos da administração pública e contribui para gerar entusiasmo e compromisso.

A governação não é aprendida em manuais, exige coragem e confiança mútua. Tem que ser vivida e experimentada a partir do encontro e escuta ativa.

Os governos locais como administrações de proximidade, para garantirem que os cidadãos e cidadãs participem nas decisões públicas que os afetam, devem trabalhar para fazê-los sentir-se parte da solução. Para isso, devem ganhar credibilidade, ou seja, que o convite à participação não seja nem um fim em si mesmo nem um meio de legitimar uma ação decidida anteriormente, mas que seja baseado no direito dos cidadãos, desde a infância, a serem informados, consultados e a participarem nas questões que os afetam.

Convidamos as Cidades Educadoras a mobilizarem as capacidades existentes em seus municípios e a implementar processos de colaboração, co-criação e co-participação, nos quais estejam presentes a diversidade de grupos que integram a cidade, convencidos de que este feedback será valioso para gerar confiança e laços de pertença e co-construir cidades mais inclusivas, participativas e educadoras.

Marina Canals Ramoneda
Secretária Geral da AICE

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